ESTRUTURA DA SOCIEDADE EXPLORATÓRIA PARA A INTERPRETAÇÃO DA PAISAGEM


Depósitos da Quimigal, Barreiro . imagem © 2013 S.E.I.P.

A PAISAGEM TEM INSCRITA AS HISTÓRIAS DOS HOMENS

As comunidades humanas adaptam no tempo o ambiente onde vivem para recriar um lugar que consiga fornecer as condições necessárias para ser habitado. A persistência do homem é, no fundo, o motor para a construção de novas paisagens. Mas esta transformação do território exige a inserção do homem no quotidiano e nos sistemas que estão presentes, ou antes, nos sistemas que as comunidades entendem ou compreendem estar em acção, à luz das suas próprias emergências. Neste processo a paisagem enche-se de marcas e imagens.

Assim, a mais ou menos violenta inserção do homem no território surge da incessante procura e optimização dos recursos para a subsistência dele próprio e da sua comunidade. As obras deixadas à superfície terrestre, quer sejam de uma subtileza precária ou de uma intensidade irrevogável, são sintomáticas da vontade e da clareza com que cada gesto é produzido. E, por isso, a paisagem é uma obra intrinsecamente ligada à existência do homem.

No entanto, o homem vive em constante volubilidade de códigos e padrões de comportamento, crenças e valores individuais e colectivos a que chamamos cultura. Neste processo, é construída uma paisagem dinâmica e em permanente inconstância sujeita à manifestação das inquietações e urgências dos homens. Por isso, a paisagem é uma manifestação da cultura dos povos que a transformam. E investigar a paisagem é perscrutar o âmago da cultura.

A ideia de que a paisagem contemporânea é, em parte, sintoma da relação entre o homem e a superfície do planeta é a base para as investigações da Sociedade Exploratória para a Interpretação da Paisagem. O que a Sociedade pretende fazer é identificar lugares que, pelas suas características exemplares, se destacam pelo seu contributo para uma interpretação das relações que o homem cria com a crosta terrestre construindo, passo a passo, o seu habitat, a paisagem. Interessa-nos também compreender os sistemas da paisagem, os movimentos, os fluxos dos recursos e analisar o modo como estas narrativas alteram o seu suporte.